A vida está passando

Quem não tem em casa um álbum de família contendo a foto de um parente que já partiu? Uma fotografia, um escrito, nos remete à época de convívio com pessoas que nos deixaram em algum momento da vida. Um tempo que sempre nos parece mais recente que a realidade cronológica, porque a vida é fugaz e quando a gente pensa no passado, os anos se transformam em minutos.

Esse mesmo olhar projetado no futuro nos leva à consciência de que tão logo seremos velhos. Somos muito desatentos ao fato de que estamos envelhecendo. Nada é para sempre. Vamos, sim, deixar a vida que construímos e as pessoas que amamos para recomeçar um novo ciclo, em algum lugar. No limiar da vida já carregamos o peso dessa certeza imutável. Mas esquecemos de observar que quando o sol bate à nossa janela, todas as manhãs, ele anuncia: “um dia a menos” – embora digamos para nós mesmos, “mais um dia”.

Nossos pais já tiveram a nossa idade e nossos filhos vivem sonhos que, há pouco, eram nossos. A vida está passando. E o quanto somos melhores? Que impressões causamos acerca de nós? Quando seremos mais gentis e generosos com os que nos cercam, essencialmente, com a nossa família? Desperdiçamos nosso tempo, impagável, com coisas que nada acrescentam ao nosso objetivo maior – que deve ser evoluir.

Se os nossos antepassados pudessem falar enquanto contemplamos seus rostos na velha fotografia, eles teriam muito a nos dizer. Certamente, gostariam de expressar os seus sentimentos ou pedir perdão por algo. Amanhã, seremos nós a mostrar um sorriso estático, o nosso semblante frio, mudo, através de uma foto digital. E alguém estará olhando para nós. Nossos filhos, netos, talvez o nosso companheiro. Tomara que nós tenhamos dito tudo e feito o máximo ao nosso alcance, não só para sermos bem lembrados, mas para estarmos em paz, onde quer que estejamos. A vida corre! O tempo não espera, não perdoa os nossos atrasos. A única coisa importante que temos a deixar é o nosso legado.

Foto internet: https://br.pinterest.com/pin/447474912957474443/

 

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